Setembro Amarelo

Setembro Amarelo
Campanhas de SSMA

01/09/2026

Setembro Amarelo: escutar, acolher e agir pode salvar vidas

Durante o mês de setembro, monumentos, empresas e espaços públicos ganham a cor amarela para chamar a atenção para um tema que precisa ser tratado com responsabilidade durante todo o ano: a prevenção do suicídio e o cuidado com a saúde mental.

O Setembro Amarelo representa um convite à reflexão, ao diálogo e à construção de ambientes nos quais as pessoas possam expressar o que sentem sem medo de julgamentos. Mais do que compartilhar mensagens motivacionais, a campanha nos lembra da importância de oferecer escuta, reconhecer sinais de sofrimento e facilitar o acesso à ajuda especializada.

Por que precisamos falar sobre o assunto?

O suicídio é um grave problema de saúde pública e pode afetar pessoas de diferentes idades, profissões, condições sociais e contextos familiares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo.

Não existe uma única causa. O comportamento suicida pode estar relacionado a uma combinação complexa de fatores emocionais, sociais, familiares, profissionais, econômicos, culturais e de saúde. Por isso, julgamentos e explicações simplistas devem ser evitados.

Falar sobre prevenção de maneira cuidadosa ajuda a combater o preconceito, reduzir o silêncio e mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: reconhecer que algo não está bem pode ser o primeiro passo para receber o cuidado necessário.

Atenção aos sinais de sofrimento emocional

Não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza uma crise suicida. Entretanto, algumas mudanças podem indicar que uma pessoa está enfrentando sofrimento intenso e precisa de apoio.

Entre os possíveis sinais de alerta estão:

  • Isolamento de familiares, amigos e colegas;

  • Perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas;

  • Mudanças significativas de comportamento ou humor;

  • Alterações persistentes no sono ou no apetite;

  • Queda repentina no desempenho profissional ou escolar;

  • Sentimentos frequentes de culpa, inutilidade ou desesperança;

  • Descuido acentuado com a aparência e com a própria saúde;

  • Aumento do consumo de álcool ou de outras substâncias;

  • Falas recorrentes sobre desaparecer, morrer ou não ter motivos para continuar;

  • Despedidas incomuns, distribuição de objetos pessoais ou organização repentina de assuntos particulares.

Esses sinais não devem ser analisados isoladamente nem utilizados para fazer diagnósticos. Contudo, quando aparecem em conjunto, persistem ou se intensificam, precisam ser levados a sério.

Comentários relacionados à morte ou à falta de esperança não devem ser tratados como “drama”, “chantagem” ou tentativa de chamar atenção. Podem representar um pedido de ajuda.

Como acolher alguém que está sofrendo?

Acolher não significa assumir o papel de psicólogo, oferecer respostas prontas ou tentar resolver todos os problemas da pessoa. O primeiro cuidado é criar um espaço seguro para que ela possa falar.

Algumas atitudes podem fazer a diferença:

  • Escolha um lugar reservado e converse com calma;

  • Demonstre interesse verdadeiro e disponibilidade;

  • Ouça sem interromper, criticar ou fazer comparações;

  • Reconheça a dor da pessoa, mesmo que você não compreenda completamente a situação;

  • Pergunte como pode ajudar naquele momento;

  • Incentive a procura por atendimento profissional;

  • Ajude a contatar alguém de confiança ou um serviço de saúde;

  • Continue presente após a primeira conversa.

Evite frases como “isso é falta de força”, “pense positivo”, “há pessoas em situação pior” ou “você tem tudo e não deveria estar assim”. Embora possam ser ditas com boa intenção, essas expressões podem aumentar a culpa e fazer a pessoa se sentir ainda mais incompreendida.

Prefira dizer:

“Eu estou aqui para ouvir você.”

“O que você está sentindo é importante.”

“Você não precisa enfrentar isso sozinho.”

“Vamos buscar ajuda juntos?”

Se houver risco imediato, não deixe a pessoa sozinha. Procure um serviço de urgência ou acione o SAMU pelo número 192.

Setembro Amarelo no ambiente de trabalho

Passamos uma parte significativa da vida no trabalho. Por isso, as organizações também possuem um papel importante na promoção da saúde mental e na prevenção dos riscos psicossociais.

Uma ação de Setembro Amarelo não deve se limitar à decoração dos ambientes ou à distribuição de laços amarelos. A campanha precisa estar acompanhada de práticas permanentes, como:

  • Comunicação respeitosa e combate ao assédio;

  • Lideranças preparadas para ouvir e encaminhar situações delicadas;

  • Canais seguros e confidenciais de acolhimento;

  • Gestão adequada das cargas, metas e jornadas de trabalho;

  • Respeito aos períodos de descanso;

  • Avaliação e prevenção dos fatores de riscos psicossociais;

  • Orientação sobre os serviços de saúde disponíveis;

  • Incentivo à busca por acompanhamento profissional;

  • Ações educativas realizadas durante todo o ano.

Os gestores não precisam diagnosticar transtornos mentais. Entretanto, devem observar mudanças importantes, abordar o trabalhador com respeito, preservar sua privacidade e direcioná-lo aos recursos adequados.

Cuidar da saúde mental no trabalho não é apenas realizar uma campanha em setembro. É construir diariamente um ambiente em que as pessoas sejam tratadas com dignidade, segurança e humanidade.

Procurar ajuda é um ato de cuidado

Em momentos de sofrimento intenso, pode ser difícil acreditar que exista uma saída. Ainda assim, existem pessoas e serviços preparados para oferecer apoio.

O Centro de Valorização da Vida — CVV realiza atendimento emocional gratuito, sigiloso e sem julgamentos pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia em todo o Brasil. Também há opções de contato pelo site cvv.org.br.

A pessoa também pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, um Centro de Atenção Psicossocial — CAPS, uma Unidade de Pronto Atendimento ou outro serviço de saúde de sua região. Em uma emergência ou diante de risco imediato, deve-se acionar o SAMU pelo telefone 192.

Um compromisso para o ano inteiro

O Setembro Amarelo nos convida a substituir o julgamento pela empatia, o silêncio pelo diálogo responsável e a indiferença pela presença.

Uma conversa acolhedora pode não resolver todos os problemas, mas pode abrir a porta para que alguém receba ajuda. Escutar com respeito, reconhecer sinais de sofrimento e orientar a procura por atendimento são atitudes que fortalecem a prevenção.

A valorização da vida não deve terminar quando setembro acabar. Ela precisa estar presente em nossas relações familiares, sociais e profissionais durante todos os dias do ano.

Escutar também é cuidar. Acolher também é prevenir. Sua vida importa.

Fontes consultadas:


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Rosana Andrea Miranda

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Técnica de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente - Graduada em Comércio Exterior - MBA em Controladoria e Pós Graduação em Qualidade, Saúde e Segurança do Trabalho - Auditora/Consultora em ISO 9001:2015, 14001:2014 e 45001 - Instrutora de Normas Regulamentadoras NR 11, 20, 23, 33 e 35 - Bombeira Civil

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